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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A coisa / O desprendimento

Segundo o texto de Germano Celant: "Merce Cunningham e John Cage"

Como Cage por diversas vezes escreveu, "nós estamos, nestas danças e nesta música, a dizer qualquer coisa. Somos suficientemente ingénuos para pensar que se dizemos alguma coisa teremos de utilizar palavras. Estamos mais a fazer qualquer coisa. O significado daquilo que estamos a fazer é determinado por quem o vê e ouve."

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre o processo WE CAGE por Isabela Schwab

Para mim “We Cage” vem abrir em Curitiba um espaço de construção da relação entre o corpo dançante e a tecnologia, tecnologia esta que não está apenas no espaço físico na função de suporte para algo, mas sim como um outro tipo de corpo em cena dialogando com o todo. Corpo e tecnologia nesse espetáculo são como uma via de mão dupla, emergem ações e reações em um diálogo entre corpos, sons, objetos, cabos, espaço e direções.
Dentro do processo, um ponto interessante para apontar aqui, são os ajustes que os corpos se permitem fazer para a criação de uma linguagem que é igual na diferença, que tem um foco e um objetivo, mas é aberta para receber informações e entendimento de diferentes corpos em relação a criação de movimentos.
Outro ponto essencial para a construção da linguagem corporal é a função de colocar o corpo na experiência do movimento o tempo todo, segundo Cunningham “capacidade de pensar, de existir por inteiro”. É deixar ser em tempo real, o corpo que fala de corpo, com peso, espaço, direções, limites, agilidade e ajustes em pequenas frações de segundos.
Por hoje duas palavras, que juntas tem um único sentido, podem definir o estado e a vontade que sinto em meu corpo durante os momentos do processo, são elas: Longe Alcance.

Isabela Schwab, bailarina de WE CAGE.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VARIATIONS V e JOHN CAGE

VARIATIONS V foi realizada em 23 de julho de 1965, pela Cia. de dança Merce Cunningham, onde o compositor John Cage teve a colaboração de Malcolm Goldstein, Gordon Mumma, James Tenney e David Tudor com filmes de Stan VanDer Beek e vídeos de Nam June Paik. Robert Moog construiu antenas especiais que eram colocadas por todo o palco/espaço, de modo a acionar a música no momento em que os bailarinos passassem por elas. John Cage e David Tudor combinaram dois sistemas de som, capazes de serem acionados através de movimento. Para o primeiro, Billy Klüver desenvolveu um sistema de fotocélulas direcionadas ao palco com luzes, e deste modo, os bailarinos acionavam os sons no momento em que cortavam os feixes luminosos com os movimentos. Um segundo sistema usava uma série de antenas. Quando um bailarino pisasse num cabo resultaria num som. Dez fotocélulas eram ligadas para ativar fitas de gravadores e rádios de ondas curtas. Desse modo, cada performance emitiria diferentes composições sonoras. Cecil Coker desenvolveu um circuito de controle, foram colocados filmes de Stan VanDerBeek e Nam June Paik, manipulando imagens as quais eram projetadas em telas por detrás dos bailarinos.
JOHN CAGE compositor musical experimentalista, poeta, filósofo e escritor norteamericano, ficou conhecido pelo uso não convencional de instrumentos e pelo seu pioneirismo na música eletrônica.Veio contornar a idéia de música como uma série ordenada de notas, voltando-se para outras concepções. Estas experiências abriram portas entre as décadas de 50 e 60, que introduziram diversas ações, ruídos, imagens e movimento para o espaço da performance, tal como no trabalho "Variations V".

*Texto publicado segundo o blog art torrent.