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sábado, 6 de março de 2010

Cena 03 / WE CAGE/ O jogo de ações cotidianas


A bailarina Isabela Schwab toca a "Suite for Toy Piano I" de John Cage.

A “Suite for Toy Piano” é de agosto de 1948. Foi composta no Black Mountain College na Carolina do Norte (EUA) e teve sua estréia no dia 20 de agosto sendo executada pelo próprio Cage numa coreografia de Merce Cunningham intitulada “A Diversion”. Trata-se de uma pequena suíte com 5 movimentos numerados, bastante limitados pela característica fisica do piano de brinquedo. É uma das composições mais charmosas de Cage. É uma peça divertida e irônica. Em 1963 foi arranjada para orquestra.
Em WE CAGE as bailarinas tocam a suíte I em um jogo onde utilizam gestuais do cotidiano como corridas, mudar uma planta de lugar, montar partes ordenadas de um esqueleto, disputar espaço, calçar pantufa, considerando todas as ações e sons como coreografia.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

MIDI

MIDI (Musical Instrument Digital Interface, ou Interface Digital para Instrumentos Musicais) é um protocolo de comunicação criada inicialmente para transmitir informações entre instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos. O MIDI contêm basicamente instruções de como será gerado cada evento musical. Com o desenvolvimento de novos aparatos técnológicos, o MIDI vem sendo aplicado para outras funções multimídia que operam com os mesmos parâmetros, como sensores, consoles de iluminação, aparelhos e softwares de vídeo, etc.

Sobre o processo WE CAGE por Isabela Schwab

Para mim “We Cage” vem abrir em Curitiba um espaço de construção da relação entre o corpo dançante e a tecnologia, tecnologia esta que não está apenas no espaço físico na função de suporte para algo, mas sim como um outro tipo de corpo em cena dialogando com o todo. Corpo e tecnologia nesse espetáculo são como uma via de mão dupla, emergem ações e reações em um diálogo entre corpos, sons, objetos, cabos, espaço e direções.
Dentro do processo, um ponto interessante para apontar aqui, são os ajustes que os corpos se permitem fazer para a criação de uma linguagem que é igual na diferença, que tem um foco e um objetivo, mas é aberta para receber informações e entendimento de diferentes corpos em relação a criação de movimentos.
Outro ponto essencial para a construção da linguagem corporal é a função de colocar o corpo na experiência do movimento o tempo todo, segundo Cunningham “capacidade de pensar, de existir por inteiro”. É deixar ser em tempo real, o corpo que fala de corpo, com peso, espaço, direções, limites, agilidade e ajustes em pequenas frações de segundos.
Por hoje duas palavras, que juntas tem um único sentido, podem definir o estado e a vontade que sinto em meu corpo durante os momentos do processo, são elas: Longe Alcance.

Isabela Schwab, bailarina de WE CAGE.

Processos Coreográficos: Sobre Diagramas /Sorteios

Determinamos que houvesse um sorteio para organizar as frases de movimentos. A cada encontro foi construído o método, escolhendo elementos a serem sorteados. Um desses elementos é o espaço, mais especificamente as direções dele. Escolhemos 11 pontos no espaço baseados num diagrama formado por 8 pontos. A primeira dificuldade foi ajustar as frases de movimentos para executá-las nas direções sorteadas, e ainda manter a estrutura da sequência original. Estudamos o mesmo sorteio em mais de um encontro. Aos poucos o estranhamento de ter que realizar a sequência em pontos escolhidos ao acaso se tornava mais confortável, o corpo se adaptava mais facilmente e a cada sorteio o raciocínio ficava mais rápido. Até que em um dos ensaios houve uma observação importante: Nas obras do Merce Cunningham não há um centro fixo. E no diagrama que estávamos usando, acabávamos sempre passando pelo centro, pois os pontos eram localizados apenas nas extremidades. Foi escolhido outro diagrama, mais complexo, com 20 pontos espalhados no espaço, sem possuir um centro fixo. Agora as frases de movimentos podem ir direto para a extremidade ou parar no meio do espaço. Com esse diagrama há a dificuldade de localizar os pontos, afinal passamos de 8 para 20, porem é mais interessante os desenhos coreográficos realizados a cada sorteio. Agora estamos no processo de se habituar a esses 20 pontos e desenvolver estratégias para o corpo permanecer na experiência do movimento e cumprir o sorteio.

“Cunningham constrói sua obra como “fragmento do universo”, e põe nela todas as propriedades que são encontradas naquele movimento evolutivo. A coreografia torna-se parte do todo em que está inserida, e carrega os elementos observados no movimento cósmico: tempo e espaço; lei e acaso; caos e ordem; densidade e expansão.” (Rosana Van Langendonck – Mercê Cunningham Dança Cósmica – Acaso – Tempo – Espaço)

Texto de Mariana Batista bailarina de WE CAGE

Sorteio Coreográfico atualizado / Mariana Batista

Sorteio adotado.

Sorteio Coreográfico Mariana

Sorteio antigo em desuso.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Procedimentos Coreográficos WE CAGE / Curitiba


Clique na imagem para ampliação!

Merce Cunningham

Mercier Philip Cunningham (1919-2009) - nascido na cidade de Centralia, no estado de Washington, EUA, é considerado o pioneiro no uso da tecnologia na dança. Na década de 40, época em que iniciara sua parceria com o compositor John Cage, foi também o começo de uma transformação na forma de pensar e conceber a dança estimulada pelos postulados estabelecidos pelo coreógrafo. Tais mudanças podem ser elencadas pelo seu princípio de autonomia entre dança e música, as duas passaram a ser compreendidas como artes que coexistem no mesmo tempo espaço, não estando subordinada uma a outra. Tal principio se estenderia para a cenografia, iluminação e figurino. Na organização da estrutura da dança não haveria hierarquia de nenhuma espécie. Todos os pontos do espaço tem igual valor, assim como não existe um intérprete principal. Da mesma forma não há um grau de importância entre as cenas, não exisitindo a linearidade de começo, meio e fim. A dança não estaria mais subordinada a uma narrativa, uma história ou um mito e qualquer movimento poderia ser dançado. Na década de 50 introduziu o processo do acaso no processo criativo de suas obras. Em 60 iniciou seus trabalhos com vídeo, "surgindo" então a videodança. Em 1989 começa a utilizar o software Life Forms e, no final da década de 90, utiliza o processo de motion capture em colaboração com o Riverbed Group.

Referência: SANTANA,Ivani.Dança na Cultura Digital.Salvador Bahia: EDUFBA,2006.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VARIATIONS V e JOHN CAGE

VARIATIONS V foi realizada em 23 de julho de 1965, pela Cia. de dança Merce Cunningham, onde o compositor John Cage teve a colaboração de Malcolm Goldstein, Gordon Mumma, James Tenney e David Tudor com filmes de Stan VanDer Beek e vídeos de Nam June Paik. Robert Moog construiu antenas especiais que eram colocadas por todo o palco/espaço, de modo a acionar a música no momento em que os bailarinos passassem por elas. John Cage e David Tudor combinaram dois sistemas de som, capazes de serem acionados através de movimento. Para o primeiro, Billy Klüver desenvolveu um sistema de fotocélulas direcionadas ao palco com luzes, e deste modo, os bailarinos acionavam os sons no momento em que cortavam os feixes luminosos com os movimentos. Um segundo sistema usava uma série de antenas. Quando um bailarino pisasse num cabo resultaria num som. Dez fotocélulas eram ligadas para ativar fitas de gravadores e rádios de ondas curtas. Desse modo, cada performance emitiria diferentes composições sonoras. Cecil Coker desenvolveu um circuito de controle, foram colocados filmes de Stan VanDerBeek e Nam June Paik, manipulando imagens as quais eram projetadas em telas por detrás dos bailarinos.
JOHN CAGE compositor musical experimentalista, poeta, filósofo e escritor norteamericano, ficou conhecido pelo uso não convencional de instrumentos e pelo seu pioneirismo na música eletrônica.Veio contornar a idéia de música como uma série ordenada de notas, voltando-se para outras concepções. Estas experiências abriram portas entre as décadas de 50 e 60, que introduziram diversas ações, ruídos, imagens e movimento para o espaço da performance, tal como no trabalho "Variations V".

*Texto publicado segundo o blog art torrent.