O "patch" desenvolvido no Max/MSP para o sorteio coreográfico baseia-se em processos randômicos (aleatórios), que "escolhem" o valor de cada parâmetro através de números sorteados. Basicamente são quatro parâmetros: DIREÇÃO, FRASES DE MOVIMENTO,TIPO DE DESLOCAMENTO e ORDEM DE ENTRADA das bailarinas. Os três primeiros parâmetros são individuais, ou seja, cada bailarina terá o seu próprio sorteio. No total são sorteados onze diferentes direções entre 20 possibilidades, 3 frases de movimento e 2tipos de deslocamento entre 6 possíveis. A ordem de entrada é feita em sorteio único e comum a todas as bailarinas, sendo que 3 bailarinas geram 6 possibilidades. Segue abaixo a visualização de um “patch” sorteado para a bailarina Isabela Schwab.
Por Gilson Fukushima
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Processos Coreográficos: Sobre Diagramas /Sorteios
Determinamos que houvesse um sorteio para organizar as frases de movimentos. A cada encontro foi construído o método, escolhendo elementos a serem sorteados. Um desses elementos é o espaço, mais especificamente as direções dele. Escolhemos 11 pontos no espaço baseados num diagrama formado por 8 pontos. A primeira dificuldade foi ajustar as frases de movimentos para executá-las nas direções sorteadas, e ainda manter a estrutura da sequência original. Estudamos o mesmo sorteio em mais de um encontro. Aos poucos o estranhamento de ter que realizar a sequência em pontos escolhidos ao acaso se tornava mais confortável, o corpo se adaptava mais facilmente e a cada sorteio o raciocínio ficava mais rápido. Até que em um dos ensaios houve uma observação importante: Nas obras do Merce Cunningham não há um centro fixo. E no diagrama que estávamos usando, acabávamos sempre passando pelo centro, pois os pontos eram localizados apenas nas extremidades. Foi escolhido outro diagrama, mais complexo, com 20 pontos espalhados no espaço, sem possuir um centro fixo. Agora as frases de movimentos podem ir direto para a extremidade ou parar no meio do espaço. Com esse diagrama há a dificuldade de localizar os pontos, afinal passamos de 8 para 20, porem é mais interessante os desenhos coreográficos realizados a cada sorteio. Agora estamos no processo de se habituar a esses 20 pontos e desenvolver estratégias para o corpo permanecer na experiência do movimento e cumprir o sorteio.
“Cunningham constrói sua obra como “fragmento do universo”, e põe nela todas as propriedades que são encontradas naquele movimento evolutivo. A coreografia torna-se parte do todo em que está inserida, e carrega os elementos observados no movimento cósmico: tempo e espaço; lei e acaso; caos e ordem; densidade e expansão.” (Rosana Van Langendonck – Mercê Cunningham Dança Cósmica – Acaso – Tempo – Espaço)
Texto de Mariana Batista bailarina de WE CAGE
“Cunningham constrói sua obra como “fragmento do universo”, e põe nela todas as propriedades que são encontradas naquele movimento evolutivo. A coreografia torna-se parte do todo em que está inserida, e carrega os elementos observados no movimento cósmico: tempo e espaço; lei e acaso; caos e ordem; densidade e expansão.” (Rosana Van Langendonck – Mercê Cunningham Dança Cósmica – Acaso – Tempo – Espaço)
Texto de Mariana Batista bailarina de WE CAGE
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Sorteio Coreográfico Mariana
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domingo, 31 de janeiro de 2010
Merce Cunningham
Mercier Philip Cunningham (1919-2009) - nascido na cidade de Centralia, no estado de Washington, EUA, é considerado o pioneiro no uso da tecnologia na dança. Na década de 40, época em que iniciara sua parceria com o compositor John Cage, foi também o começo de uma transformação na forma de pensar e conceber a dança estimulada pelos postulados estabelecidos pelo coreógrafo. Tais mudanças podem ser elencadas pelo seu princípio de autonomia entre dança e música, as duas passaram a ser compreendidas como artes que coexistem no mesmo tempo espaço, não estando subordinada uma a outra. Tal principio se estenderia para a cenografia, iluminação e figurino. Na organização da estrutura da dança não haveria hierarquia de nenhuma espécie. Todos os pontos do espaço tem igual valor, assim como não existe um intérprete principal. Da mesma forma não há um grau de importância entre as cenas, não exisitindo a linearidade de começo, meio e fim. A dança não estaria mais subordinada a uma narrativa, uma história ou um mito e qualquer movimento poderia ser dançado. Na década de 50 introduziu o processo do acaso no processo criativo de suas obras. Em 60 iniciou seus trabalhos com vídeo, "surgindo" então a videodança. Em 1989 começa a utilizar o software Life Forms e, no final da década de 90, utiliza o processo de motion capture em colaboração com o Riverbed Group.
Referência: SANTANA,Ivani.Dança na Cultura Digital.Salvador Bahia: EDUFBA,2006.
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