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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Processo e Coreografia de WE CAGE

A coreografia WE CAGE é inspirada na obra "Variations V" (1965) de Merce Cunningham e John Cage. Estudando essa obra, considerada históricamente a primeira envolvendo dança e tecnologia analisamos as relações do corpo movimento e tecnologias possíveis na época ali envolvidas. Como a utilização de aparatos tecnológicos/sensores que permitiam a alteração do ambiente através da movimentação do bailarino no espaço. A investigação nos levou ao aprofundamento diante da fascinante contribuição desses dois artistas geniais e generosos.
Para a construção de WE CAGE escolhemos o seguinte caminho: Aplicação de procedimentos aleatórios/sorteios que nos levassem a perda de controle da coreografia, som e imagens. Em termos coreográficos foi necessário criar esse "algo" a ser sorteado: vocabulário de movimento. O movimento e suas próprias implicações no espaçotempo norteiam o propósito da pesquisa. Pensar em espaço e deslocamento dançando como? Foram elencados sete parâmetros para a produção desses movimentos criados em colaboração coreógrafa/bailarinas: peso, deslocamento,release, mudança de direção,inclinar, de baixo pra cima e torção.
Em termos espaciais Merce foi grande contestador da perspectiva cênica e sempre se importou com a posição do bailarino no espaço chegando dar a ele a autonomia na escolha da região espacial onde a coreografia seria executada. Inicialmente adotamos um mapa espacial que depois de certo tempo caiu em desuso devida a constatação da importância dada ao centro do espaço. Em seguida adotamos novo mapa que valorizava o palco como um todo sem hierarquias. Com vocabulário de movimento apontado e mapa espacial, nos especializamos em vários tipos de sorteios para gerar a coreografia. Sempre que lia sobre o emprego dos sorteios nas coreografias de Merce imaginava que se sorteava tudo poucos minutos antes da apresentação. Mas não é bem assim. Os sorteios ganham alta complexidade exigindo do bailarino estudos e treinamentos anteriores a sua execução. Uma das opções de WE CAGE para gerar os sorteios foi a utilização do computador. Através do software MAX MSP foram desenvolvidas programações exclusivas para esse fim.

"O acaso é também uma forma de disciplina do ego para libertar-nos de nossos gostos e preferências permitindo-nos experimentar coisas de que não gostamos e mudar nossa mente" (John Cage)

Por Carmen Jorge, diretora e coreógrafa de WE CAGE

Procedimento de sorteio coreográfico com MAX MSP para WE CAGE

O "patch" desenvolvido no Max/MSP para o sorteio coreográfico baseia-se em processos randômicos (aleatórios), que "escolhem" o valor de cada parâmetro através de números sorteados. Basicamente são quatro parâmetros: DIREÇÃO, FRASES DE MOVIMENTO,TIPO DE DESLOCAMENTO e ORDEM DE ENTRADA das bailarinas. Os três primeiros parâmetros são individuais, ou seja, cada bailarina terá o seu próprio sorteio. No total são sorteados onze diferentes direções entre 20 possibilidades, 3 frases de movimento e 2tipos de deslocamento entre 6 possíveis. A ordem de entrada é feita em sorteio único e comum a todas as bailarinas, sendo que 3 bailarinas geram 6 possibilidades. Segue abaixo a visualização de um “patch” sorteado para a bailarina Isabela Schwab.

Por Gilson Fukushima

Sorteios Coreográficos através do MAX MSP


Desenvolvimento: Gilson Fukushima e Carmen Jorge
Criação e Programação em MAX MSP: Gilson Fukushima

Esta programação foi desenvolvida exclusivamente para o espetáculo WE CAGE da PIP Pesquisa em Dança.

MAX MSP com Jitter

Max é um software criado em 1989, que consiste em uma interface modular de programação, criada inicialmente para controlar sintetizadores e "samplers" através do protocolo MIDI. Em 1997 foram incorporadas diversas extensões com o objetivo de processar sinais de áudio (pacote MSP - Max Signal Processing), que possibilitou o desenvolvimento de "patches" com maior aplicabilidade para a música eletroacústica. O max opera através de objetos com funções simples, basicamente com linhas de programação de texto, operações matemáticas e a relação entre ambos.
Em 2003 um novo pacote foi adicionado, com a função de expandir sua operacionalidade para o processamento em "real-time" de vídeos, gráficos em "3-D" e Matrix. Esta expansão, chamada "Jitter" permitiu a comunicabilidade com interfaces visuais, processando e gerenciando vídeos e aparatos multimídia.